Luanda – A consolidação da paz, a reconstrução nacional e o crescimento económico constituem os principais ganhos de Angola nos 50 anos de independência, apontados pelo Presidente da República, João Lourenço, em entrevista à CNN Internacional, publicada este sábado.
A entrevista, realizada em Luanda, abordou o percurso histórico do país desde 1975, os avanços registados na luta contra a corrupção, a diversificação económica e as perspectivas políticas com vista às eleições gerais de 2027
Na ocasião, o Presidente João Lourenço considerou que o maior feito dos 50 anos de independência é a paz conquistada em 2002, depois de quase três décadas de guerra.
Para o estadista, “a paz é a base sobre a qual se construiu tudo o que o país é hoje” e representa a vitória mais importante do povo angolano.
O Chefe de Estado recordou que Angola suportou longos anos de conflito e de invasões externas, mas conseguiu ultrapassar o período mais difícil da sua história recente.
Com a paz consolidada, acrescentou, o país pôde reconstruir as suas infra-estruturas, estabilizar as instituições e abrir espaço para o desenvolvimento económico e social.
Segundo o Presidente, “a paz permitiu ao Estado concentrar-se nas prioridades nacionais, melhorar as condições de vida dos cidadãos e reforçar a unidade e a reconciliação entre os angolanos”.
Reformas económicas
Noutra parte da entrevista, João Lourenço explicou que, ao assumir a Presidência em 2017, a prioridade do seu Governo foi criar um ambiente económico mais competitivo e atrair investimento privado, interno e estrangeiro.
Sublinhou que o Executivo tem vindo a implementar um conjunto de reformas para reduzir a dependência do petróleo, estimular a produção nacional e diversificar a economia.
O Presidente destacou que “os resultados começam a ser visíveis”, com o aumento do interesse de investidores internacionais e a entrada de capitais em sectores estratégicos como a agricultura, a energia, as pescas, as telecomunicações e a indústria transformadora.
Para o Chefe de Estado, “Angola é hoje vista como um destino seguro e promissor para o investimento, fruto de políticas claras, de estabilidade política e de uma visão orientada para o desenvolvimento sustentável”.
Combate à corrupção
Neste aspecto, o Presidente reconheceu que o combate à corrupção tem sido um dos maiores desafios do seu mandato, admitindo que “a luta é difícil, mas necessária para o futuro do país”.
Recordou que, no início do seu governo, foi concedido um período para a devolução voluntária de activos indevidamente retirados do Estado, mas que, “salvo raras excepções, poucos o fizeram”, razão pela qual a Justiça teve de actuar com firmeza.
João Lourenço afirmou que a resistência era esperada, uma vez que muitos não queriam perder privilégios adquiridos de forma irregular. Contudo, garantiu que a determinação do Estado em combater a impunidade “é irreversível”.
O Chefe de Estado defendeu que “a semente da mudança já foi lançada” e que “as novas gerações estão a crescer com uma consciência diferente sobre a responsabilidade e a gestão pública”.
Reafirmou que o combate à corrupção não é apenas uma medida de governo, mas um compromisso moral com o povo e com o desenvolvimento de Angola.
Angola rumo a um futuro de prosperidade
O estadista realçou ainda que os 50 anos de independência representam um marco de maturidade nacional e que o país está a construir as bases para um futuro de prosperidade.
Garantiu que o Governo continuará a investir na educação, saúde, habitação e emprego, pilares fundamentais para o bem-estar da população e para a consolidação da paz.
Segundo o Chefe de Estado, “Angola vive um momento de confiança e esperança, em que os angolanos olham para o futuro com optimismo, conscientes dos desafios, mas também das oportunidades que o país oferece.